mai
17

Paraísos Artificiais: um retrato do universo das raves eletrônicas

Nathalia Dill é a DJ Érika que conquista fama internacional

Se os grandes festivais de música jovem nos anos 60 e 70 poderiam ser definidos como sexo, droga e rock’n roll, as baladas ou raves de hoje em dia não são muito diferentes. O sexo continua intenso, só que com mais diversidade; as drogas continuam à solta e bem variadas e o som fica a cargo dos DJs com a profusão da música eletrônica. O que pesa neste universo e difere de outras épocas é mesmo o tráfico internacional de drogas. Com este argumento que o diretor Marcos Prado faz com Paraísos Artificiais uma viagem a este universo, tendo como pano de fundo um festival de arte e cultura alternativa numa paradisíaca praia nordestina. Leia mais »

mai
15

Processo de Giordano Bruno: grande atuação de Celso Frateschi

Celso Frateschi na pele do filósofo Giordano Bruno, queimado vivo pela Inquisição

Em curta temporada no SESC Vila Marina, estreou na semana passada a montagem que relata os últimos anos de vida do filósofo Giordano Bruno —vivido com brilhantismo por Celso Frateschi— antes de sua condenação pela Inquisição, em fevereiro de 1600. Com texto do italiano Mário Moreetti, tradução e direção de Rubens Rusche, a peça Processo de Giordano Bruno é constituída de duas partes: a primeira mostra o filósofo, que era da Ordem dos Dominicanos, em Veneza como hóspede do nobre Giovanni Mocenigo, que desejava aprender a arte da memória. Como não concorda e se assusta com as ideias revolucionárias de seu hóspede, Mocenigo o denuncia à Inquisição. Na segunda parte, vemos Giordano Bruno preso em Roma e respondendo ao processo que o levará à morte (foi queimado vivo no Campo das Flores, depois de oito anos de processo); para se livrar da condenação ele teria de abjurar suas teorias do mundo infinito, suas ideias sobre heliocentrismo (o Sol como o centro do sistema solar e não a Terra), a existência de vida em outros planetas, entre outras teorias. Ele se recusa e morre por seu ideal. Leia mais »

mai
14

O Exótico Hotel Marigold: envolvente comédia inglesa

Nada melhor do que curtir a aposentadoria em um local paradisíaco, em um hotel que se diz especializado em receber pessoas idosas. Foi com este pensamento que sete aposentados resolvem deixar a Inglaterra e partir para Jaipur, cidade indiana onde fica O Exótico Hotel Marigold. No entanto, as coisas não acontecem como eles tinham previsto; já no desembarque eles não conseguem conexão no aeroporto, ficam horas esperando até que resolvem continuar a viagem de ônibus. O choque cultural já aparece na conturbada viagem e com o trânsito caótico do país; o susto só aumenta quando chegam ao hotel Marigold e verificam que as acomodações confortáveis e serviço especializado não passavam de propaganda enganosa! Leia mais »

mai
14

Coisa de Louco, comédia inédita de Fauzi Arap critica a sociedade contemporânea

Nilton Bicudo é o desjeitado palestrante Firmino contratado às pressas para falar sobre drogas

No recém-inaugurado Teatro Santa Catarina — cuja sala leva o nome de Elias Andreato, coincidentemente o diretor da peça — acaba de estrear o monólogo inédito de Fauzi Arap, Coisa de Louco. No palco, somente o púlpito, uma cadeira e um flip chart  para ajudar na explanação, elementos típicos de auditórios comerciais ou escolares. Nilton Bicuro encarna o desajeitado palestrante Firmino, um contador endividado, separado da mulher e que tem filhos, que foi contratado de última hora para fazer uma palestra sobre drogas em substituição a um delegado de polícia. Segundo ele, o delegado deve ter desistido da palestra para não perder o último capítulo da novela. Leia mais »

mai
10

DVD mostra a combativa carreira do advogado Modesto Carvalhosa

Capa do DVD dirigido por Sofia Carvalhosa

Oitenta anos de idade! Uma data tão importante na vida de uma pessoa não pode passar em branco. Foi com este pensamento que Sofia Carvalhosa resolveu presentear o pai, o advogado Modesto Carvalhosa, com o DVD Modesto à Parte- uma conversa com Modesto Carvalhosa, que ela produziu e dirigiu. Num bate-papo descontraído em seu escritório, Modesto conta os principais acontecimentos de sua vida e, desta maneira despretensiosa, faz um emocionado relato dos fatos relevantes ocorridos no Brasil nas últimas décadas, já que esteve à frente dos principais movimentos políticos da sociedade civil deste período. Leia mais »

mai
08

Maria Rita abriu o final de semana musical

Gilberto Gil encerrou a 8ª Virada Cultural em São Paulo

São Paulo esteve em festa no último final de semana com a realização da 8ª Virada Cultural. Foram as mais variadas atrações, desde teatro, cinema, dança e música, esta abrangendo diversos gêneros, com palcos dedicados ao rock, aos ritmos afros, ao samba, ao jazz, funk, tango, pop e música clássica. E a população compareceu em massa, com mais de quatro milhões de pessoas circulando pelas ruas centrais da cidade, nas 24 horas da programação.

Cida Moreira apresentou seu show intimista em plena praça pública

Difícil ressaltar alguma atração, mas segui meu coração e não perdi o show de cabaré da gloriosa Cida Moreira. Depois de ter prestigiado sua apresentação no Auditório Ibirapuera no início do ano (ver resenha já publicada aqui), vê-la em praça pública foi admirável; ela estava segura e adorando estar tão perto de seus fiéis admiradores.
Não queria perder o encerramento e corri para o show de Gilberto Gil, que em uma hora e meia de espetáculo eletrizou a imensa plateia em frente à Praça Júlio Prestes, com seus hits, destacando os reggaes e baladas. Ressalto uma única canção, Punk da Periferia:

Sou um punk da periferia/
Sou da Freguesia do Ó/
Ó! Ó Ó Ó Ó Ó Ó Ó!/
Aqui prá vocês!/
Sou da Freguesia.

Nesses versos do estribilho, o cantor exigia explicações das autoridades diante do descaso com o Rio Tietê. Reivindicação das mais contundentes e apropriadas. Uma sacada de mestre!
Não pude acompanhar muita coisa do evento deste ano. Mas meu amigo Zedu Lima participou ativamente e faz abaixo um relato emocionado, unindo a apresentação de Maria Rita no Parque da Juventude com seus destaques da Virada Cultural. Confira! Leia mais »

mai
03

A contadora de filmes, livro de Hernán Letelier a cinéfilos e amantes da boa leitura

Capa do livro lançado pela Editora Cosac Naify

Zedu Lima, jornalista e escritor, mais uma vez nos brinda aqui no Favo com sua perspicácia e sensibilidade: apresenta-nos o terceiro livro do escritor chileno sobre a garota que contava os filmes a que assistia aos moradores do vilarejo em que morava ao norte do Chile, no final da década de 50. A contadora de filmes de Hernán Rivera Letelier em breve vai chegar às telas pelas mãos do brasileiro Walter Salles. Mais uma vez, Zedu, obrigado pela colaboração e pela confiança neste blog. Aos meus leitores, aguardo seus comentários!

Ao apagar as luzes todos se endireitavam e ficavam duros na frente da tela. Eu não. Eu virava a cabeça para ver aparecer o raio de luz que saía pelas janelinhas do quartinho de projeção e percorria o espaço sobre nós até se chocar com a tela e explodir em imagens e sons. (…). Eu achava um prodígio que aquele jorro de luz pudesse transportar coisas tão impressionantes como trens perseguidos por índios a cavalo, barcos de piratas em mares de tormenta e dragões verdes exalando fogo por suas sete cabeças.
Esse era o deslumbramento que a pequena Maria Margarita sentia quando ia com a família ao pequeno cinema no vilarejo onde morava, no deserto, no norte do Chile, no final dos anos 50. Maria Margarita é a personagem narradora de A contadora de filmes, terceiro livro do chileno Hernán Rivera Letelier, lançamento da Editora Cosac Naify. Não é a toa que o cineasta Walter Salles se encantou com sua narrativa, a tal ponto de não apenas fazer uma apresentação nas orelhas do livro, como a elegeu como seu próximo projeto cinematográfico. Leia mais »

mai
02

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios: grande atuação de Camila Pitanga

Camila Pitanga como Lavínia mostra que está madura e realiza um trabalho marcante

Nova parceria de Beto Brant e Marçal Aquino, que já fizeram a quatro mãos os roteiros de Cão sem dono, Crime delicado, Ação entre amigos e Os matadores, além da adaptação do livro O Invasor. Desta vez outro romance de Aquino, Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, chega às telonas numa adaptação dos dois e de Renato Ciasca, que codirige o filme ao lado de Brant. Na ficção, triângulo amoroso é muito comum por trazer em sua essência conflitos e sentimentos multifacetados. Neste filme, entretanto, a relação amorosa envolvendo três pessoas é extremamente delicada e numa região do Brasil em que as questões de honra ainda são resolvidas com sangue e morte. O fotógrafo Cauby (Gustavo Machado) trocou o sul do país onde trabalhava em revista semanal pela beleza amazônica, fixando-se num vilarejo do Pará, onde se envolve com Lavínia, interpretação marcante de Camila Pitanga, que é casada com o pastor Ernani (Zecarlos Machado). Mais do que a traição, outras questões políticas e econômicas envolvem o caso de Lavínia, Cauby e Ernani, com desfecho inesperado. Leia mais »

abr
30

Girimunho, documentário poético sobre o sertão mineiro

Maria do Boi e Bastu moradoras do vilarejo de Minas Gerais e protagonistas do filme

Uma realidade nada comum aos grandes centros urbanos, com um ritmo próprio — sereno e pausado — e o modo simples e rústico de viver. Girimunho, documentário de Helvécio Marins Jr. e Clarissa Campolina, já premiado nos festivais de Havana/Cuba e Nantes/França, traz este retrato de um Brasil pouco conhecido e recluso, que vive suas tradições e sua cultura, alheio ao mundo digital, tecnológico e conturbado das metrópoles. Num misto de ficção e realidade (os habitantes são os próprios personagens da trama), o filme conta o cotidiano de um povoado do sertão mineiro por meio da história de vida de Bastu, uma senhora que acaba de perder o marido e num movimento interno precisa refazer a vida ao lado dos netos. Já Maria do Boi é outra personagem, que com sua força e alegria lidera um grupo tradicional de batuque e tradições populares. Leia mais »

abr
25

A Mecânica das Borboletas: texto inédito retrata conflito de irmãos

Suzana Faíni vive a mãe dos gêmeos interpretados por Eriberto Leão e Otto Júnior

O argumento de A Mecânica das Borboletas, em cartaz no Teatro Anchieta/SESC Consolação, nasceu depois que o dramaturgo Walter Daguerre passou uma temporada numa fazenda gaúcha em que os afazeres eram somente os rurais e campestres, nada da vida urbana e tecnológica. Estes opostos (urbano/rural, digital/analógico) motivaram o autor a criar os gêmeos Rômulo e Remo, interpretados respectivamente por Eriberto Leão e Otto Júnior, que encarnam ideais de vida opostos e ao mesmo tempo muito próximos e inconciliáveis: a liberdade que o mundo oferece e a responsabilidade em cuidar da família. Rômulo deixa o lar e se aventura pelo mundo, tornando-se um escritor de sucesso; já Remo assume a oficina mecânica deixada pelo pai após sua morte, casa-se e cuida da mãe, que ficou perturbada com tantas perdas. A volta do filho pródigo provoca atritos e uma reviravolta no destino de toda a família. Leia mais »

Página 1 de 26123451020...Última »